quarta-feira, 28 de maio de 2014

Proposta regulamenta criação e desmembramento de municípios

19/05/2014 - 16h04

Projeto do Senado, em tramitação na Câmara dos Deputados, faz parte de acordo com o governo para resolver o impasse em relação a veto presidencial.

A Câmara analisa o Projeto de Lei Complementar 397/14, do senador Mozarildo Cavalcante (PTB-RR), que regulamenta a criação, fusão, incorporação e desmembramento de municípios no País.

apresentação da proposta faz parte de acordo com o governo para resolver o impasse em relação a outro projeto de Mozarildo (PLP 416/08, na Câmara, e PLS 98/02 no Senado), aprovado nas duas Casas do Congresso, mas vetado pela presidente Dilma Rousseff em outubro de 2013. Os vetos devem ser analisados pelos deputados e senadores, em sessão conjunta.

A proposta institui regras mais severas para criação dos municípios e disciplina fusões e incorporações, não contempladas no texto vetado por Dilma. Para o senador, o projeto é importante, pois existem áreas do território nacional que se desenvolvem rapidamente e que “precisam ganhar autonomia administrativa, não podendo ficar sob a camisa-de-força, sendo geridas por um distrito-sede menos dinâmico”.

Mozarildo classificou a proposta como “equilibrada” por permitir “criar municípios onde eles são efetivamente necessários” e estimular a fusão e incorporação de municípios “de baixa eficiência e pouca sustentabilidade econômica”.

Novas regras
De acordo com o projeto, os novos municípios deverão ter área superior a 200 quilômetros quadrados (km²), nas regiões Norte e Centro-Oeste, e 100 km² nas regiões Nordeste, Sul e Sudeste para serem criados. Será exigido também um número mínimo de habitantes, seis mil para as regiões Norte e Centro-Oeste; 12 mil para o Nordeste; e 20 mil nas regiões Sul e Sudeste. Esse número mínimo pode ser reajustado a cada censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O requerimento para a criação ou desmembramento de um novo município deve ser dirigido à assembleia legislativa estadual, subscrito por, no mínimo, 20% dos eleitores residentes na área geográfica que quer se emancipar. A criação e o desmembramento são vedados quando implicarem inviabilidade de qualquer dos municípios envolvidos.

No caso de fusão ou incorporação de municípios, a exigência é de 3% dos eleitores residentes em cada uma das localidades envolvidas.

Para ser criado, o município precisa ter um número de imóveis maior que a média encontrada nos menores municípios (10% de menor população) do estado. A proposta proíbe ainda que os municípios a serem criados ocupem áreas da União, de reservas indígenas ou preservação permanente.

Pelo texto, as mudanças no município só podem acontecer entre a data da posse do prefeito (1º de janeiro) até o último dia do ano anterior às eleições municipais.

Veto
Ao vetar o projeto aprovado pelo Congresso, a presidente Dilma Rousseff considerou que a medida poderia criar ônus excessivo aos cofres públicos. O receio era de que as regras favorecessem a criação de mais municípios, dando, por outro lado, pouco incentivo à fusão e incorporação.

Na justificativa à nova proposta, Mozarildo afirma que o veto abriu um debate entre Legislativo e Executivo para chegar a “uma sintonia fina nas regras propostas”, moderar os incentivos à criação e desmembramento, facilitar e estimular a fusão e incorporação de municípios. O senador afirma que o projeto apresentado agora é “o resultado de tal debate”.

Uma proposta (PLP 395/14) do deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) tramita apensada ao texto do senador, e condiciona a criação, incorporação, fusão e desmembramento de municípios a estudo de viabilidade e plebiscito com as populações locais.

Tramitação
A proposta tramita em regime de prioridade e será analisada nas comissões de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia; de Desenvolvimento Urbano; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, o texto segue para o Plenário.

Continua:

Projeto prevê estudo de viabilidade para criação de município
Íntegra da proposta:


PLP-397/2014
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Janary Júnior

FONTE> Agência Câmara Notícias'

Um comentário:

Fernando Figueiredo de Araújo disse...

Sr. Antonio.

Parabens pelo seu trabalho, incentivar a discussão sobre matéria tão importante para as populações que precisam de uma maior autonomia administrativa.
A discussão deste tema já foi bem tratada. Apenas ficaram de fora os municípos das regiões Sul e Sudeste que tem característica parecidas com as regiões Norte e Centro Oeste. Distritos com mais dParabens pelo seu trabalho, incentivar a discussão sobre matéria tão importante para as populações que precisam de uma maior autonomia administrativa.
A discussão deste tema já foi bem tratada. Apenas ficaram de fora os municípos das regiões Sul e Sudeste que tem característica parecidas com as regiões Norte e Centro Oeste. Distritos com mais e 200km² que tem uma distância grande em relação a sua sede, com autonomia financeira e administrativa e que tem menos de 20.000 habitantes. Acredito que para municípios com distância acima de 50 km da sede e com pelo menos 10.000 habitantes que tenham viabilidade econômica, poderão fazer parte desta lei. Da forma que ficou , somente as regiões em grandes centros, poderão ficar emancipadas. Regiões nos interiores dos Estados do Sul e Sudeste continuarão sem a mínima possibilidade de emancipação. Sugiro que nas revisões da câmara esse assunto seja tratado.
Agradeço o espaço, desejo-lhe sucesso.
Fernando Figueiredo